Pequenas Coisas
 

 
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Terça-feira, Novembro 18, 2008
 
Ao observar um colega, numa fissura imensa em fumar, tenho algumas idéias. O fato é que ele estava do meu lado, inquieto, deu ums suspiro bem fundo e disse: "Tenho que ir até uma padaria, perto do shopping Cidade, preciso comprar um maço de cigarro no cartão, mas eu tinha prometido que não ira gastar no cartão". Vinte minutos depois ele volta e eu brinco: Já repôs o nível da nicotina? E ele: "Noossa, estou até melhor agora". O que me ocorreu é que ele é realmente escravo do cigarro, não consegue ser senhor de si mesmo. Não é pra ter dó ou penas porque cada um de nós tem uma luta dessas pra travar, alguns tem até inúmeras lutas pra travar. Fiquei pensando nas minhas próprias lutas, minhas próprias fraquezas, na facilidade que temos de fazer alguma coisa e na dificuldade de deixar de fazer outras. Um verso do Humberto Gessinger, letrista e vocalista da banda gaúcha Engenheiros do Hawai: Mas é impossível reprimir o que acontece toda vez, é impossível repetir o que acontece uma vez". E enquanto o garoto tenta ou não tenta lutar contra um vício, uma fraqueza sua, em volta a lutas e embates tremendos e muitas vezes seres que se entregam temporariamente aos seus senhores mais cruéis. Talvez eu pense no mundo como uma escola, e também poderia ser denominado campo de batalha, pois é onde lidamos frente a frente com nossos piores inimigos, os vícios, os sentimentos ruins, a perversidade, a falta de escrúpulos, a desonestidade. E o nível das batalhas, o próprio nível de crescimento das pessoas é diferente. E temos 365 dias em um ano e aproximadamente 90, 80 anos pra tecer um aprendizado e mergulharmos na escuridão da morte. Se pensarmos na morte como o fim, veremos que essas batalhas são inglórias e o melhor é realmente se entregar a elas. Se pensarmos na luz ou em viver o máximo do tempo nesse plano, aí sim, nos esforçamos por vencermos as nossas batalhas.

Quinta-feira, Novembro 13, 2008
 
Fui cortar cabelo. Peguei o 32 e desci na Tamoios,indo ao salão no qual tenho cortado cabelo nos últimos meses e sempre com o mesmo profissional. Já contei umas histórias que aconteceram aqui e numa deles ele mandou eu me benzer. Nessa última vez, ele conversava com um senhor mais velho que perguntou se ele fumava. Ele disse que fumava de vez em quando e perguntou ao velho se ele fumava:
-Que é isso, sô, eu sou inteligente!
O cabeleireiro olhou pra mim e enquanto o velho dava uma volta lá fora ele disse:
-Esse velho é doido!
Depois o velho se desculpou e disse que ele, que mexia com academia, não gostava dessas coisas, e pra quem ele considerava amigo, dizia pra não fumar porque essas coisas não prestavam. Ele falou que tinha um filho faixa preta e que estava na academia dele. Que trabalhava a noite e que já tinha encarado muitas barras, batendo em muito jovem de 20 anos.
-Eu só dou na cara, popopopo (faz o barulho com a boca).
Ele ainda disse que trabalhava no Belvedere e que tinha muita disposição e que ouvira comentários de policiais militares, que se essa greve da Civil que aconteceu em São Paulo estivesse ocorrido aqui, os civis tinham apanhado muito da PM e que todo esse pessoal da Rotam, todo mundo mexe com artes marciais. Achei meio exagerado isso porque hoje em dia ninguém resolve mais nada no braço.
O velho estava esperando o outro cabeleireiro, o da sua preferência chegar. Acho que era pra negociar um fiado.

 

 
   
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